Rei do Gado
[00:14.65] Num bar de Ribeirão Preto
[00:17.30] Eu vi com meus olhos esta passagem
[00:19.96] Quando champanha corria a rodo
[00:23.15] No alto meio da grã-finagem
[00:28.19] Nisto chegou um peão
[00:30.32] Trazendo na testa o pó da viagem
[00:33.24] Pro garçom ele pediu uma pinga
[00:36.69] Que era pra rebater a friagem
[00:46.52] Levantou um almofadinha e falou pro dono
[00:49.97] Eu tenho má fé
[00:51.30] Quando um caboclo que não se enxerga
[00:54.76] Num lugar deste vem pôr os pés
[00:59.54] Senhor que é o proprietário
[01:01.66] Deve barrar a entrada de qualquer
[01:04.05] Principalmente, nesta ocasião
[01:08.04] Que está presente o rei do café
[01:18.41] Foi uma sarva de parmas
[01:20.80] Gritaram viva pro fazendeiro
[01:22.93] "Quem tem milhões de pés de cafés
[01:26.38] Por este rico chão brasileiro?
[01:31.69] Sua safra é uma potência
[01:33.57] Em nosso mercado e no estrangeiro
[01:36.49] Portanto vejam que este ambiente
[01:39.94] Não é pra qualquer tipo rampeiro"
[01:51.63] Com um modo bem cortês
[01:53.49] Responde o peão pra rapaziada
[01:56.15] "Essa riqueza não me assusta
[01:59.86] Topo em aposta qualquer parada
[02:04.91] Cada pé desse café
[02:06.77] Eu amarro um boi da minha invernada
[02:09.43] E pra encerrar o assunto eu garanto
[02:13.41] Que ainda me sobra uma boiada"
[02:23.50] Foi um silêncio profundo
[02:25.63] O peão deixou o povo mais pasmado
[02:28.29] Pagando a pinga com mil cruzeiro
[02:31.74] Disse ao garçom pra guardar o trocado
[02:36.79] "Quem quiser meu endereço
[02:38.66] Que não se faça de arrogado
[02:41.32] É só chegar lá em Andradina
[02:45.31] E perguntar pelo rei do gado"
